IMAGENS QUASE VIVAS

 

Esses fatos tão reais, apesar de tão absurdos, ainda estão completamente vivos diante dos meus olhos e me fazem sonhar na solidão deste quarto branco, observado por ventiladores. Não sei há quanto tempo estou aqui, perdi a noção das horas e dos dias.

Às vezes me pergunto se Fernanda esteve realmente comigo em Paris ou se tudo não passou de um sonho. Sonho, realidade, fantasia, que diferença faz? O único sonho admitido é a realidade, a única realidade permitida é o sonho. Onde começa e termina cada um deles, se a dor e a alegria não tem fim?

Começo a sentir uma dificuldade cada vez maior em narrar a minha história. Deve ser a alquimia de Fernanda, o seu pique, a sua loucura. No começo eu disse que a desordem leva à essência, agora tenho dúvidas.

Continuo desesperadamente tentando abrir as portas por onde passei com Fernanda, mas novamente é angustiante, é como se a pressão do sangue nas veias fosse muito forte e elas não fossem suportar. Mas é preciso continuar, algumas portas ainda tem que ser explodidas.

Bombardeio agora a memória com o som de um disco invisível, transparente, que me ajuda nesse resgate. As imagens me visitam e fogem, fluem e refluem, depois diminuem o ritmo e começam a se fixar – quase vivas.

 

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