Thomas G. Marasco

Diversos cursos incompletos, todos feitos sem convicção alguma, geralmente motivados por alguma curiosidade passageira, um projeto ou uma mulher: Jornalismo, Comunicação, Ciências Sociais, Filosofia e Engenharia Eletrônica.

Sempre houve em mim o fascínio pela grande catarse, pelo grande orgasmo coletivo em torno de uma história que eu acreditei existir. E nessa história sempre fui o personagem principal, nunca o coadjuvante.

Como todo intelectual decadente e apaixonado, passei a maior parte de minha vida tentando parir a grande obra, o grande filme, mas o máximo que consegui foi escrever um livro chamado “A Solidão dos Sobreviventes”, para o formato impresso, mas que não chegou a ir para a gráfica.

Passei a vida empurrando portas já abertas, escancaradas, porque na verdade sempre me faltou talento para arrombar qualquer porta que ainda estivesse fechada.

Prêmios? Nenhum. Escrevi um roteiro para cinema, duas peças de teatro, meia dúzia de livros de poesia, e um livro de ficção não concluído que pretendo publicar na Web.

Uma noite, na casa de Paula em Porto Piano, conheci um sujeito chamado Frederico Bergamasco – para simplificar passei a chamá-lo de Passenger – que Paula me disse ser um Web Publisher. Ele me sugeriu aproveitar aquela metamorfose selvagem – aquele início de passagem do livro analógico para o digital – para criar algo novo, que pudesse ao menos começar a formatar a cara do livro do amanhã.

“O limite entre a ficção e a realidade é apenas uma linha imaginária”, disse ele.

“E o que isso tem a ver com o meu livro?”.

“Nada”, ele respondeu.

Por incrível que pareça isso me convenceu, talvez pelo que Paula tenha me falado de Fred, ela o conhecia muito bem. Confiei nele e lhe entreguei o meu texto para que o transformasse nesse novo livro de que falava, e com carta branca para mexer no que quisesse. Inclusive reinventar a vida de grandes amigos meus como Roberta, Fernanda e Alex, os quais ele conheceu nesse mesmo dia. Mas vamos trabalhar juntos nisso, é uma carta branca controlada.

Esse encontro aconteceu no verão de 1995, antes da chegada da internet no Brasil.

No momento estou apaixonado por uma mulher maravilhosa, chamada Marcela, e com a metade da minha idade. O sorriso dela me faz lembrar os papagaios coloridos que eu empinava nas manhãs ensolaradas da minha infância. Soa idiota, não soa? Não, não soa. É idiota mesmo.

Mas sabe o que eu quero com tudo isto? Arrombar definitivamente aquela porta que ainda continua fechada.