PASSENGER

Meu nome é Frederico Bergamasco, sou jornalista e tive a Wired como revista de cabeceira em meu último ano de faculdade. Acabei optando muito cedo por uma vida profissional na Web e meu projeto inicial foi um livro e uma revista online sobre comportamento.

Em um estranho encontro na casa de minha amiga Paula em Porto Piano conheci um sujeito chamado Thomas Marasco. Durante boa parte da noite tivemos uma longa conversa regada por muitas taças de vinho, e combinamos algumas coisas que vieram a mudar um pouco os planos que eu tinha para os anos seguintes.

Aceitei a sua proposta para trabalharmos juntos em uma ficção e uma revista online, que deveriam representar os fragmentos da nova cultura digital que estava emergindo naqueles dias de fim de milênio.

O nome da ficção era “Tristessa”, e durante o transcorrer da noite percebi tratar-se de sua própria história e de alguns amigos seus que estavam presentes nesse encontro. A revista digital se chamaria “Passage”, e estaria sempre em permanente construção e desconstrução, formando uma espécie de crônica fragmentada de uma nova sociedade voltada para a cultura digital.

Ele deixou a festa mais cedo, mas antes de sair disse:

“Precisamos resolver um ponto importante. Você vai ser uma pessoa importante nessa história, e não pode ser simplesmente um Fred, ou um Frederico, você tem que ter um nome mais enigmático, que passe um pouco de mistério e mantenha certa distância do nosso cotidiano analógico-digital, um nome que possa conduzir os leitores a essas novas dimensões. Você vai se chamar Passenger, aquele que produz Tristessa e publica a revista online Passage. E a partir de agora você é também um personagem dessa história.”

A partir daquele momento simplesmente passou a me chamar de Passenger durante todos os dias em que falamos e nos encontramos, E nesse encontro conheci também os outros personagens da vida-ficção de Thomas: Fernanda, Marcela, Roberta, Alex e Joana. Algum tempo depois Paula me confessou que tinha planejado cuidadosamente aquele encontro, com todas aquelas pessoas, para que tudo ocorresse como efetivamente ocorreu nos anos que se seguiram.

Só o que eu não pude prever naquela noite foi que além de passar a ser chamado por outro nome e começar a caminhar por uma faixa muito estreita entre o virtual, o real e a ficção, um dia eu compartilharia com aquelas pessoas a informação sobre uma morte anunciada.

 

A entrega do CD A entrega do CD Plano de Viagem Home