MOMENTO

 
Deixe que se desprenda agora a seda que te acaricia o corpo, Joana, e vem nua para mim, nua e orgulhosa, como mulher que já se sabe desejada.

Vem nua para mim, sem pudor, e esfrega os teus seios em minha boca, gruda o teu corpo suado no meu, porque assim os teus seios se tornarão mais seios, porque assim os nossos corpos se tornarão mais corpos.

Era hora de olhos dormindo, Joana, e os nossos lábios se abriram para o beijo, era hora de mãos se despedindo, e os nossos corpos se procuraram para o encontro. Nós não tivemos medo, e a noite era escura, nós não suamos, e a noite era quente. As nossas roupas se desprenderam, a lua desenhou na parede o contorno dos nossos corpos nus e as nossas carnes se uniram para o amor.

Quando retornamos da nossa viagem não tínhamos as carnes cansadas, não havia rugas em nossas mãos. Os nossos olhos eram de crianças que brincavam de ciranda e que se deslumbravam diante de seus corpos nus que a lua projetava na penumbra da varanda.

Despedimo-nos quando a madrugada que era nossa já ia embora e o sol começava a nascer.

O sol atira agora os seus primeiros raios em meus olhos, mas as ruas rescendem a sereno ainda, a sereno de uma madrugada até a pouco viajada. Pela calçada ensolarada caminho com você ainda dentro de mim.

 

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