JOANA F. MARASCO

Meu nome é Joana F. Marasco. O sobrenome é o de um casamento que acabou.

Formei-me em Direito, mas desisti da profissão depois de três anos desperdiçados em um inútil escritório especializado em Direitos Autorais. Seus donos viviam de extorquir inocentes internautas que se utilizavam de informações digitais ofertadas na rede. Mas isso é passado. Depois estudei nos Estados Unidos, fiz um MFA – Master of Fine Arts – com foco em escrita criativa, mas isso não fez de mim uma especialista em literatura.

Fui casada com o Thomas, o autor desta história. Ele está escrevendo o segundo ato de um livro online chamado Tristessa, inspirado em sua própria vida, e em determinado momento, sem me consultar, decidiu me colocar na sua história.

Ainda na fase fotográfica de Thomas acabei virando modelo, e depois mãe. Após um longo tempo sem grandes indagações e especulações me interessei pela teoria do caos e mais especificamente a sua e sua influência na Web Fiction. Este foi o papel que me arranjaram nesse Chorus Line sem música.

Meu amor pelo cara de que falei aí em cima? Já era. Fácil assim? Não tão fácil, houve muita paixão, dois filhos, e foi muito bom enquanto durou. Apesar da Fernanda – um amor crônico na vida de Thomas – andar sempre por perto, a viagem foi muito boa. Valeu a pena.

Em um determinado período de nossas vidas me senti mesmo a Joana toda branca toda paz, como ele escreveu nas páginas de Tristessa, mas quando terminou só o que restou mesmo foi uma casa vazia, com as suas portas e janelas fechadas e uma música misteriosa viajando no vazio.

Posso ter sido a mulher de sua vida, lenda, mito, poema, como ele diz em algumas páginas, mas não consegui acompanhar a sua loucura e permissividade. Além da Fernanda, depois ele acabou transando com a minha amiga Roberta, ex-mulher de Alex, seu melhor amigo. Depois a Marcela entrou também em nossa vida até que um dia acabei explodindo ao som de um Bolero de Ravel, regado a uísque.

O que eu acho do retorno a esta teia? Hesitei muito antes de me permitir entrar para esta história novamente. Expor a vida em uma ficção é muito pior do que ter a própria vida devassada no Facebook: é para sempre.

 

Arquivos desaparecidos Arquivos desaparecidos Plano de Viagem Home