JOANA F. MARASCO

Meu nome é Joana F. Marasco. O sobrenome é o de um casamento que acabou.

A minha meta era seguir uma carreira jurídica, mas no último ano desisti da profissão depois de um ano desperdiçado em inútil estágio em um escritório especializado em Direitos Autorais. Seus donos já viviam de extorquir inocentes internautas que se utilizavam de informações digitais ofertadas na rede. Mas isso é passado. Interessada em literatura estudei depois nos Estados Unidos, fiz um MFA – Master of Fine Arts – com foco em escrita criativa, que também não fez de mim uma especialista em literatura.

Fui casada com o Thomas, o ‘autor’ desta história. Ele está escrevendo o ‘segundo ato’ de um livro online chamado Tristessa inspirado em sua própria vida, e em determinado momento decidiu me colocar na sua história sem me consultar. Esse período me transformou em uma modelo de passarela e depois em mãe de nossos filhos.

Após um longo tempo sem grandes indagações e especulações me interessei pela teoria do caos e mais especificamente por sua influência em uma possível nova literatura que surgiria no ambiente digital. Este foi o papel que me arranjaram neste Chorus Line sem música.

Meu amor pelo cara de que falei aí em cima? Já era. Fácil assim? Não tão fácil, houve muita paixão, dois filhos, e foi muito bom enquanto durou. Apesar da Fernanda – um amor crônico na vida de Thomas – andar sempre por perto, a viagem foi muito boa. Valeu a pena.

Em um determinado período de nossas vidas me senti mesmo a Joana toda branca toda paz, como ele descreve nas páginas de Tristessa, mas quando terminou só o que restou mesmo foi uma casa vazia, com as suas portas e janelas fechadas e uma música misteriosa viajando no vazio.

Posso ter sido mesmo a mulher de sua vida, lenda, mito, poema, como ele diz em algumas páginas, mas não consegui acompanhar a sua loucura e permissividade. Além da Fernanda, depois ele acabou se envolvendo com a Roberta, ex-mulher de Alex, seu melhor amigo. Depois a Marcela entrou também em nossa vida até que um dia acabei explodindo ao som de um Bolero de Ravel, regado a uísque.

O que eu acho do retorno a esta teia depois de tantos anos? Eu não acho nada, hesitei muito antes de me permitir entrar para esta história novamente. Expor a vida em uma ‘ficção’ é muito pior do que ter a vida devassada nas redes sociais. É para sempre.

 

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