INTERAÇÕES

Ao abrir a interação entre personagens e leitores o autor mergulha no desconhecido, e os riscos da vida passam a existir na ficção. Às vezes as máscaras travam, ou se despreendem do rosto, e o leitor enxerga o personagem como alguém da vida real, ou o personagem, criado pelo autor, se confunde com o criador. Ou melhor, é o próprio autor está vestindo a máscara do personagem para interagir com o leitor.

É bastante fácil imaginar o que pode ocorrer. São incansáveis trocas de máscaras a cada contato, a cada mensagem, sujeitas a diferentes interpretações. Ora somos corpo, ora apenas texto, afetados pela interpretação. Entre leitor e personagem existe um espaço totalmente fora de controle, comandado pela subjetividade.

Essa subjetividade e essa interação já existia e existe no livro impresso, mas ficava em um espaço sem texto, o leitor não tinha a comunicação direta com personagem/autor do livro.

Do que estamos falando? Do contato entre personagens e leitores da obra Tristessa, entre 1995 e 1998, através de interação por e-mails.