EM LINHA RETA

 
Mal começo a colocar Tristessa na rede e percebo a tentação de narrar a minha história cronologicamente, em linha reta, do começo para o fim, o que não faz sentido, porque em nossa cabeça o tempo não se organiza dessa forma.

Estamos sempre procurando a origem das coisas, como se tudo tivesse que ter um começo, daí a procura da linearidade dos fatos. Mas não adianta. Se existir um começo ele está fora de nós, portanto não existe. É sempre a porra da mania da análise e não da síntese, da procura dos fatos e não da essência.

Estou o tempo todo procurando, e com muito desespero, estruturar a minha vida no presente, no agora, no instante, no que está à minha volta, nas conclusões que consigo tirar para forjar a minha própria realidade, mas ela sempre me escapa como água escorrendo por entre os dedos.

É como se eu estivesse sempre planejando o futuro à luz do passado, como se conseguisse somente ser feliz em outro lugar, onde nunca consigo estar.

Às vezes penso que não é o tempo que passa, somos nós que invadimos calendários e arrancamos dias, somos nós que construímos relógios e giramos os seus ponteiros enrugados, somos nós que inventamos minutos e carregamos horas dilaceradas em nossos bolsos vazios.

Às vezes me ocorre que não é o tempo que passa, somos nós que caminhamos para trás.

 

Vivendo em mundos paralelos Zen, tranquila e coerente Plano de Viagem Home