SOBRE TRISTESSA

Em 1995 foi disponibilizada na Web uma obra em hipertexto chamada “Tristessa”. A webvida daquela época não tinha quase nada a ver com a que vivemos hoje. O Google ainda não existia e as redes sociais não podiam sequer serem imaginadas. Banda larga? Apenas uma imagem distante.

Houve uma divulgação muito grande na mídia da época, principalmente nos jornais e em revistas impressas especializadas em Internet, como a Internet World e a Internet BR. O texto de Tristessa foi também objeto de análises acadêmicas, no Brasil e no exterior, desde cursos em universidades até trabalhos de Pós-Graduação e Doutorado na área de Literatura.

Seus personagens tinham home pages próprias e durante algum tempo o autor recebeu centenas de emails de várias partes do mundo. As pessoas se comunicavam com os personagens da ficção Tristessa como se eles realmente existissem, por mais que seu autor informasse de que se tratavam apenas de personagens.

O autor habitava um personagem chamado Passenger, pseudônimo do autor de Tristessa e também de uma revista na Web chamada Passage. Nas entrevistas e matérias às vezes ele informava seu próprio nome, em outras apenas Passenger. O protagonista de Tristessa era Thomas Marasco, que também às vezes era confundido com o autor da obra, por interpretarem que tudo aquilo era apenas uma autobiografia do próprio Thomas. A confusão entre autor, narrador e personagem não era gratuita, era mesmo para confundir o foco narrativo e fazia parte de uma atmosfera virtual que começava a se estabelecer naqueles dias.

Como Tristessa fez parte daquele início em que a webvida estava apenas começando, resolvi registrar neste site não só o texto original como a interação através da pequena rede social da época, que tinha como recurso de comunicação único o e-mail. E tudo isso tem também a ver com fato de que até hoje, passados mais de 20 anos, a literatura ainda não encontrou a sua cara no formato digital, apenas foi transferida para essa mídia com a mesma cara. O que se chama hoje de livro digital, livro eletrônico, e-book, etc., é apenas um livro no formato tradicional que foi digitalizado.

Marco Antonio Pajola, autor de Tristessa

 

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